quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Das festividades de Momo I: O Gringo

       Carnaval que é carnaval tem gringo tentando sambar, tem gringo tentando cantar marchinha, tem gringo tentando socializar. Ainda mais que,  depois do terceiro copo, todo mundo é poliglota ou como diria uma amiga (depois de muito mais de três copos) : poliglicêmico! 
          Então que o carnaval foi muito carnaval e como não podia deixar de ser o Gringo estava meio perdido pelas ladeiras bonitinhas perguntando "Do you speak English?" pra quem passava. Estavam sentadas a Índia e a Anja, mas a Índia não gostava de estrangeiro, olhou pra cara dele e apontou a Anja "Ela does!" e o Gringo sentou também. 
        Carnaval que é carnaval tem gringo sambando e tem brasileiro tentando dar uma de gringo. Pouco antes dois "argentinos " de sotaque carioca ainda haviam passado por ali .Portanto, pra não gastar latim a toa, berrou "Duvido que você é gringo!" e o Gringo, de dentro de sua impaciência europeia mostrou o ID com sua foto loira: " Poland". Mas a turma ficou chamando ele de alemão mesmo. Menos a Anja que lá pelas tantas lembrou que a Polônia, além de fria pra burro, era a terra natal do João Paulo II e o gringo virou "the pope land guy" que lá pelas tantas virou Popeye .
       "Vou pegar sua aureola de anjinha!" ele disse em português enrolado por que a Índia era taxativa "No Brasil como os brasileiros, fale português!" e o Gringo se esforçava, mas havia também a preguiça. E a Anja encantada por que o Gringo, quando falava inglês, conjugava direitinho todos os verbos da terceira coluna! Mas mesmo assim, levar a aureola não, que palhaçada era aquela agora? "Eu troco pela minha máscara!" e ela negou "Já tenho a minha!" que era de fato muito mais bonita!
      A parte deprê da noite veio pra provar que gente filha da puta é igual a fungo, tem no mundo todo menos no deserto onde não mora ninguém! A Índia falou do antigo Índio que gostava de dormir em outras ocas por ai. A Anja falou do Anjo com o qual durante muito tempo dividiu a nuvem mas por quem acabou sendo empurrada  dessa mesma nuvem com a cara no chão duro da realidade (álcool = filosofia) e o Gringo falou da Gringa e dos quatro. Quatro anos que ele já não conseguia esquecer que ela havia 'gringado' pelos corredores da Polônia com quatrocentos gringos feito ele ( "A Polônia é um país formado apenas por gringos!!" a Anja ainda pensou querendo rir mas não podendo por que a história do gringo era a mais triste de todas!)
         A Índia tinha cafeina no sangue andava de um lado para o outro balançando seu chocalho e rindo sozinha. A Anja não parava de falar por que estava sofrendo da tal da "poliglicemia" e o Gringo toda hora" please be quiet, let me speak!" "Don't tell me to be quiet on my country, on my carnaval!" e o Gringo "God, impossível conversar se você não para falar!" e quando ela se calou  descobriu que na Europa as pessoas acham que Coldplay é uma banda de menininhas " Por mim tudo bem se tem algo que gosto na vida é boy band, pelo menos essa não é do fim dos anos 90!"  respondeu dando risada.
        Noite curta aquela, quando se viu eram 6 da manhã, quando se viu já tinha o sol  "Seus pés são os menores do mundo!" ele percebeu com assombro e ela ficou se perguntando se isso era elogio polonês ou constatação da realidade mesmo. 
         No final das contas era preciso mesmo dormir por que ainda havia muito carnaval pela frente, a Índia há muito já se jogara nos braços de Morfeu e a Anja quis ir embora. Ele insitia " Gimme the hallo!"  e ela só convenceu quando ele disse que colocaria a fantasia numa caixa lá na Polônia e um cara que ás vezes usava um boné e era mais conhecido como Mr Postman traria de volta o que era dela.                  Tamanho era o sono que ela riu da piada e entregou parte da fantasia para o Gringo finalmente e pegou a mascara dele para si. Foi dormir rindo sozinha. Fossem outros os tempos...Enfim, fossem outros os tempos o coração se encheria de sonhos, mas haviam agora as paredes ( "You should put them down if you want to be happy again!" he said) e havia também a folia. E o sonho com um carnaval que durasse mais seis dias!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Esbaldar-me-ei na corte imperial (Eu, Pedrinho e Titila!)

            E então ela foi falando sobre o namorado que morava no Rio de Janeiro e estava há horas preso dentro do trem, perto da Central do Brasil "no Rio faz um calor meio estranho" e eu me lembrei de uma vez que fui pra lá com as freiras  e passei mal numa das missas por que estava muito abafado. Eu quis comprar um coco gelado e quiseram me vender um por cinco reais lá na porta da igreja, numa época em que com um real voce comprava uma pizza, um guaraná pequeno e um pacotinho de pastilhas da garoto na cantina da escola. Fiquei abismada com o valor do coco e preferi passar mal o resto do dia mesmo a dar cinco reais da minha mesada naquele absurdo.
           Claro que adoro o Rio de Janeiro. Uma simpatia que não se estende aos cariocas, claro. Por que me chamam de paulista como se eu não tivesse nome e também por que tiram sarro do meu sotaque. Anyway gosto do lugar e na verdade lamento não poder me esbaldar nele.  Sou pobre e moro em São Paulo, me esbaldo no Piracuama no domingo a tarde. Uma pena mesmo.
              Quando penso no Rio de Janeiro tenho dó do seculo XIX. "Do século XVIII voce não tem pena?" ela ainda me pergunta risonha e eu digo que não. No seculo XVIII ainda não tinha essa frescura de corte, o povo andava mais peladinho, mas pelo amor de Deus, o século XIX espartilhando e  sufocando devia deixar as pessoas tão irritadas umas com as outras que suicidio, tuberculose e teorias eugenicas foram o maior estouro naquela epoca!
          Eu, se fosse o sol do Rio de Janeiro no século XIX, me divertiria em brilhar como louca pra torrar as cabeças enchapeladas, os casacos de grossa lã londrina  e ver cariocas esvaindo-se em suor. . Não vou entrar no méritos de brasileiros serem babacas e seguirem modismos estrangeiros mesmo que esses lhe imponham sofrimento exagerado. Na verdade esse é todo o mérito, mas tô com preguiça de discussões ideologicas e só quero mesmo salientar que tenho dó do século XIX e imagino o cheiro dessa gente que só tomava banho com indicação médica e cujo rei guardava coxinhas de frango no bolso do casaco de veludo (!!!!!!!).
       Tenho muita dó do seculo XIX ! Ficar preso no trem deveria ser uma coisa muito pior do que é hoje em dia, tentei explicar-lhe para que tivesse menos dó do namorado preso no vagão do trem há tantas horas na capital fluminense.  Não é um pensamento original esse meu. Na verdade todo professor de história fala isso quando vai dar aula de costumes no Império. Pois que não somos originais, o que contamos sempre já aconteceu e sempre todos estão carecas de saber. No Rio de Janeiro faz calor desde que o Brasil é Brasil. Simples assim. Dentro e fora do trem. A diferença é que o povo no Leblom não sente!


ps: Um grande viva a D. Pedro que foi o primeiro ( hã hã entendeu trocadilho???), a se esbaldar no Rio de Janeiro, mesmo com casacos de veludo e sol sádico, não satisfeito arrumou ainda uma amante paulista e veio se esbaldar em São Paulo também, as margens do Tiête. Esse era malandro. O resto é História.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

70 virgens

                  Estava de fato um sol escaldante por aqueles dias pelo simples fato de que ninguém mais estava de férias para poder aproveitar o calor. Ela ainda olhou pro teto e pensou"São Pedro esse sádico..." e o ventilador continuou rodando por horas a fio. Ventiladores não se cansavam mas era muito chata aquela história de não fazer nada, por que nem mesmo ao ócio contemplativo poderia dedicar-se. Paredes e mais paredes e mais paredes pintadas (pensou na musica do Legião, mas há tempos que Renato Russo perdera a graça ).
                  E assim, então pensara, melhor quieta do que mal acompanhada, não era do tipo que mexia com ninguém.  Olhou as unhas, ainda eram três da tarde pensou um palavrão depois abriu de novo a maldita rede social que hipnotiza e transforma qualquer ser humando em escravo zumbi da nova postagem alheia.
              O mundo mudara muito pouco desde que explodiram alguma partículas num passado não muito distante. Pois que gostaria tremendamente de trabalhar de roupas mais confortáveis, talvez um biquini, mas o patrão não permitia e tampouco comprava ar condicionado para aquelas paredes ficarem menos quentes.  "Acabaremos todos sofrendo combustão espontânea..." pensou enquanto cogitou ir até onde estava a bolsa e pegar um cigarro. Desistiu. A bunda já tomara o formato a cadeira, estava presa ali como a madrasta da Xuxa em Lua de Cristal no final do filme.
         E o mundo mudara muito pouco mesmo desde que resolveram decorar cavernas com desenhos de animais, por mais que insistissem em dizer que não. Pois não mudara nada e tampouco ela também, torcendo por ai pra ser arrastada pelos cabelos pelo primeiro neanderthal que aparecesse. E tanto queimou-se sutiã em praça publica...uma pena, uma pena, uma pena. 
         "Toda mulher é idiota!" Comeu um chocolate e pensou em putaria, o mundo mudara era nada! Aliás se havia uma coisa, apenas uma única coisa que mudara naquele trem todo era cabeça das mulheres, que ia de mal a pior, os anos iam passando, o fim do mundo ia chegando e todas iam ficando cada dia mais burras, era tão lindo de se ver...
             As redes sociais ficavam um tédio no calor, assim como frio, e todo mundo é muito legal na rede social.  E o bonitinho lavando a louça fazendo pose como se fosse um favor a humanidade "Ei, sou um homem fazendo serviço de mulher!" dizia sem precisar falar e as burras todas achando aquilo lindo, por que somos cada dia mais burras, puta que pariu! mas achou bonitinho também.
          Pois que se queimaram sutiãs, greves de fome foram feitas, assim como passeatas e manifestações e  depois de adquirido (ainda que de forma muito controversa) o direito de usar a minissaia ainda passavam seus dias babando em meninos posando em serviços domesticos!" Nenhuma de nós coloca foto lavando banheiro, é feio e comum que uma mulher lave o banheiro. Um grande viva a civilização judaico-cristã-ocidental!" E depois ainda rindo ficou se perguntando que graça tinha o céu do islã pra uma mulher bomba, que teria que passar a eternidade inteira aturando setenta virgens!      Não, o mundo era mesmo machista. E houveram boatos que a humanidade estava na pior. Mas ainda assim olhando aquela foto ela teve certeza:podia piorar.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tia Márcia prevendo o futuro...

Uma vez, eram os anos 90 ainda e eu devia ter por volta dos sete ou oito anos, estava na casa da minha tia Márcia, que ficava o dia inteiro na cozinha ouvindo a radio Glo -bo-bo-bo!!!! (esse era o eco da vinheta...quase o seu Creysson) , lavando a louça do almoço, e ouvindo as fofocas do leão Lobo por ai.
Bem ,eram os anos 90 e enquanto eu não estava assistindo o Chaves, eu tava brincando de Banco Imobiliário com a minha prima e minha Tia Márcia ouvindo a rádio Globo.
Eu com minha calça bailarina e minha prima com shortinho do tchan, jogando Banco Imobiliário, ela devia ter por volta dos seis anos também, mas me roubava no jogo que era uma beleza. 
Enfim, estavamos lá naquela tarde quando em algum momento da fofoca da tarde o Leão Lobo contou pra tia Márcia pelo rádio que o César Filho e a Angelica tinham terminado. Eu não via nada demais naquilo, por que a Angelica tinha um programa muito legal no SBT e a vida pessoal dela pouco me importava, eu fazia alguma ideia de que ela namorava o cara que dava os resultados do papa-tudo, mas até ai nada me dizia. Mas tia Márcia riu muito eu bem, me lembro, quando ouviu a tal noticia e soltou uma perola da qual jamais me esqueceria."Quem dorme com criança acorda mijado..." . Eu nem entendi nada. Mas também, em 1996 quem poderia prever....

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Boias são metáforas...

(tem gente ainda me esperando pra contar, as novidades que eu já canso de saber...)

Gosto de pensar
e isso me faz até um bem
que sou uma pessoa forte
alguém que caminha além


por que depois de pensar na vida
depois dessa caminhada
descobri que houve muita coisa 
descobri que não houve nada


Gosto de pensar
e isso até me dá alegria
que eu com dignidade
aprendi a gostar da minha própria companhia


por que depois de sofrer sozinha
o normal a qualquer vivente
encontrei dentro de mim 
uma pessoa diferente


diferente dessa gente
que depois de um naufrágio
não resiste a maré
e nada desesperada
se agarrando a primeira boia que houver


pois que nadei sozinha
enfrentei  mar revolto
e o céu tempestuoso
ás vezes muito quietinha


Cheguei então a praia e não acreditei, 
quando olhando de volta pro mar vislumbrei
posso nadar novamente em outros mares 
se um dia quiser
por que depois da tempestade
o que há de ser uma maré?


Quem ancorado na boia se firma
ancorado na boia se finda.
Não aprende a nadar jamais
Passa a vida no vislumbre do cais
Querendo muito chegar
Mas longe de qualquer lugar.




àqueles que sofrem a conta gotas
para evitar a dor maior
jamais saberão
que quando a batalha termina
quando a luta se finda
a terra firme que o espera
é sem duvida
a maior vitoria da guerra...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Questão Mourisca -parte 1



            A viagem era um tédio, passando os dias trancada esperando a hora que Marido chegaria para me dar alguma atenção, as outras mulheres também não se enturmavam muito, e eu sabia de cor o numero de tabuas do teto da cabine.
          Toda madrugada o Marido chegava cheirando a cigarro misturado com perfume, mas não bebia, isso ele não fazia hoje vejo, era mesmo um fracote. Não bebia uma gota de álcool sequer, jogava por diversão durante hora e meia( não era dado a noitadas longas) no cassino improvisado e depois voltava para roncar feito um irlandês do meu lado a noite toda, enquanto eu chegava  chorar de chateação.
             Claro que a minha idéia não foi das mais originais, mas resolveu o problema da viagem como nunca, e hoje tenho até um pouco de nostalgia. A principio foi mesmo curiosidade, eu arrumei uma calça e uma camisa com um dos artistas da classe econômica, haviam alguns circenses por ali, e acabei descendo um pouco as escadas do navio, as roupas me foram muito úteis até por que do auge dos meus dezessete anos (já três de casamento), eu passaria facilmente por um púbere rapaz imberbe. E naquela noite mesmo, logo depois de Marido pegar no sono quem se levantou fui eu. 
           A nuvem de fumaça tomava conta do ambiente de forma espessa, e na mesa ao lado eu pude ver que algumas das putinhas de sempre rondavam Vinicius. Seria engraçado tirar algum dinheiro dele no pôquer, o tédio tinha dessas, também te ensina a arte da observação. Me fingi de estrangeiro, não dominava o idioma,  forjei uma voz falsa e me pedi pra sentar. Fazia as apostas em silencio e depois da primeira vez que ganhei uma das putinhas veio sentar-se ao meu lado.
           O maldito sorria satisfeito por encontrar adversário a altura no jogo.A fumaça ia, eu tomei um gole pequeno de pinga, e continuei jogando. Noites assim se seguiram por vários dias. Ainda tínhamos alguns dias até o destino final.
            Aquela noite em que beijei o Vinicius foi hilária, não por que ele achou primeiramente que havia sido beijado por um homem, mas por que toda a movimentação que se deu em seguida me fez lembrar alguma comedia pastelão.
            Depois de jogar, a essa altura éramos parceiros, ele já ia saindo quando e  fui em seu encalço enquanto ele ria sozinho apagando o cigarro “Você é bom rapazinho.Fala pouco e joga bastante.Isso é importante.” Eu afirmei com a cabeça eu fui saindo, quando entramos pelos corredores em penumbra das cabines eu fiz menção de dizer algo ele se surpreendeu e eu o beijei.Depois soltei os cabelos, mas ele continuava com os olhos saltando das órbitas de tanto susto então mostrei os peitos, que era pro caso dele achar que eu era homem mesmo e querer me bater, mas ele ainda tava surpreso, decerto achou que eu era alguma aberração sei lá, depois ele riu “eu jamais desconfiaria” . E saindo dando risada. No outro dia ele foi jogar de novo eu também fui, ele não disse palavra sobre o assunto e na noite seguinte jogamos menos para que pudéssemos nos divertir mais na cabine dele.
            Foram varias noites dessas e eu acabei chegando em terra firme grávida do meu primogênito. E foi aí que se deu a questão.